Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


O Brasil dos nossos sonhos

por Ana Prestes, em 15.10.10

Certamente o Brasil de Lula e Dilma ainda não é o país dos nossos sonhos, mas o pesadelo que prenuncia a candidatura FHC/Serra é por demais assustador.

Queria citar três experiências pessoais que me levam a dizer isto.

Em 1997, quando eu estudava na Escola Técnica Federal de Goiás, uma escola reconhecida por sua excelência no ensino e na formação tal como as diversas escolas técnicas federais espalhadas pelo país naquela época, o Presidente FHC fez o decreto 2208. O decreto era um golpe à estrutura das escolas técnicas federais por separar o ensino médio do técnico, um dos fatores centrais da qualidade de educação nestes centros. Para mim foi um momento muito marcante pois eu começava minha militância no movimento estudantil e compartilhei com muitos colegas e professores o drama da implementação do decreto que passou por cima de experiências riquissimas de ensino concomitante entre o científico e o técnico que formava centenas de jovens capacitados para a sociedade brasileira. O governo obedecia na época uma diretriz do Banco Mundial para a educação, a de formar mão de obra direcionada para as demandas do mercado, restringindo a formação destes jovens e inclusive sua empregabilidade futura em outras áreas dada a especificidade da formação. Com o governo Lula o decreto foi revertido, a maioria das escolas tecnicas foram transformadas em centros de formação tecnológica de nível médio e superior, equipadas e reestruturadas e uma série de novas unidades foram criadas por todo o país. Isso sem falar na geração de emprego que triplicou, dando oportunidade aos que se formavam e nas 14 universidades federais criadas por Lula contra nenhuma criada por FHC dando a chance do prosseguimento nos estudos.

Uma outra experiência pessoal e que tem relação com esta campanha foi a minha estada em 2008 em Portugal quando realizava uma parte do meu doutorado. Na época acompanhei de perto um rico processo em que um dos países mais católicos do mundo aprovou a Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, ou o aborto. Foi uma campanha linda da sociedade civil com mobilização, debate e exercício democrático da opinião através de referendum que legitimou a lei. Estou estupefata com o uso político que se tem dado a esta questão nas eleições no Brasil por um casal absolutamente hipócrita, o Sr. Serra e sua esposa, que são a favor do aborto, inclusive por já terem optado pela realização de um, segundo relatos de uma das alunas da esposa do Serra. Esta mesma senhora usou frases chulas como: <ela é a favor de matar criancinhas> contra uma candidata que desde o início falava nas entrevistas que tratava o aborto como uma questão de saúde pública, independente de sua posição pessoal. Eu pessoalmente sou a favor do aborto e acho que esta campanha oportunista em si já representa um atraso para esta temática no Brasil. Eu quero educar as minhas filhas para um mundo em que elas tenham liberdade para decidir sobre suas convicções religiosas e pessoais e expressá-las livres de constrangimentos morais oportunos e completamente atrasados. Quero para minhas filhas inclusive um país em que a interrupção voluntária de uma gravidez não seja crime, mas um direito da mulher. Mas isto nunca foi assim defendido por Dilma, como alegam os boatos, até porque o programa que ela representa não é da cabeça dela mas fruto de um conjunto de acúmulos possíveis nas últimas décadas pós-redemocratização.

Uma terceira e última experiência que gostaria de relatar - teria outras mais em vários temas - é a do papel do governo Lula no cenário internacional. Principalmente na parte Sul do mundo. Eu estou neste momento em fase de conclusão da minha tese de doutorado na UFMG em que estudo os movimentos contra-hegemonicos no sul global, especialmente o forum social mundial e sua ocorrencia no Brasil, na Índia e no Quênia. Devido às minhas atividades internacionais tive a oportunidade de estar nos últimos anos pelo menos 5 vezes na África. Primeiro é impressionante quão profundas e urgentes são as demandas daquele povo em todos os quesitos, desde comida, saneamento e remédios à estruturas políticas mínimas para o exercício da expressão popular e de governos livres do constrangimento pós-colonial. O presidente Lula esteve em absolutamente todos os países da África, em vários foi a primeira vez que um presidente brasileiro e até latino-ameiricano colocava os pés. Vocês imaginam o Serra indo ao Chad, ao Togo, à Eritrea ou ao Mali? O presidente Lula inverteu o eixo das relações exteriores brasileiras do norte para o sul. Muitas das relações estabelecidas são unilaterais, de apoio brasileiro às demandas dos povos destes países e não atendendo à demandas de comércio exterior brasileiro como pregava o pensamento anterior. Na minha última viagem à Africa do Sul, a ministra de relações exteriores pegou na minha mão e me disse olhando nos olhos: vocês precisam eleger a sucessora de Lula, pela África.

Eu não conheço a Dilma pessoalmente, não posso opinar sobre seu temperamento ou personalidade, mas eu acredito que a política é feita de acúmulos produzidos por coletivos humanos e ela faz parte de um. Ela é a continuidade de um processo ainda precário, mas que representou inúmeros avanços para a população brasileira nos últimos anos.

Eu quero fortemente que minhas filhas vivam em um país que respeite o passado heróico dos que lutaram contra a ditudura, um país livre da homofobia e que respeite os direitos dos homossexuais, um país em que o aborto não seja um crime mas um direito de cada mulher à decisão sobre seu corpo e sua vida, um país em que a luta contra a miséria não seja desdenhada mas humanizada, um país em que a liberdade de imprensa não seja usurpada mas democratizada, um país em que boatos, campanhas difamatórias e desonestidade intelectual não sejam a base da candidatura de um concorrente ao mais alto posto do nosso país. Por isso eu voto Dilma.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:36

Entrega dos Documentos

por Ana Prestes, em 14.10.10

Photobucket

 

A imagem que fala mais do que mil palavras. Minha avó, Maria do Carmo Ribeiro, de nascimento Altamira Rodrigues Sobral e conhecida como Maria Prestes lê uma cópia dos manuscritos do meu avô, Luiz Carlos Prestes, redigido nos anos 30 e entregue ao Brasil pelo Governo Russo no último dia 08 de outubro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:39

Confirmada atividade dia 8

por Ana Prestes, em 06.10.10

Está confirmada para o dia 8 de outubro, depois de amanhã, a cerimônia em que o Governo Russo fará a entrega dos documentos e manuscritos do meu avô, Luiz Carlos Prestes, à família, ao governo brasileiro e a todos os brasileiros. Será em Brasília, no Palácio do Itamaraty. Eu vou com a minha pequena Helena.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:45

Manifesto Reitores Pró-Dilma

por Ana Prestes, em 05.10.10

EDUCAÇÃO – O BRASIL NO RUMO CERTO

Manifesto de Reitores das Universidades Federais, à Nação Brasileira


Da pré-escola ao pós-doutoramento – ciclo completo educacional e acadêmico de formação das pessoas na busca pelo crescimento pessoal e profissional – consideramos que o Brasil encontrou o rumo nos últimos anos, graças a políticas, aumento orçamentário, ações e programas implementados pelo Governo Lula com a participação decisiva e direta de seus ministros, os quais reconhecemos, destacando o nome do Ministro Fernando Haddad.

Aliás, de forma mais ampla, assistimos a um crescimento muito significativo do País em vários domínios: ocorreu a redução marcante da miséria e da pobreza; promoveu-se a inclusão social de milhões de brasileiros, com a geração de empregos e renda; cresceu a autoestima da população, a confiança e a credibilidade internacional, num claro reconhecimento de que este é um País sério, solidário, de paz e de povo trabalhador. Caminhamos a passos largos para alcançar patamares mais elevados no cenário global, como uma Nação livre e soberana que não se submete aos ditames e aos interesses de países ou organizações estrangeiras.

Este período do Governo Lula ficará registrado na história como aquele em que mais se investiu em educação pública: foram criadas e consolidadas 14 novas universidades federais; institui-se a Universidade Aberta do Brasil; foram construídos mais de 100 campi universitários pelo interior do País; e ocorreu a criação e a ampliação, sem precedentes históricos, de Escolas Técnicas e Institutos Federais. Através do PROUNI, possibilitou-se o acesso ao ensino superior a mais de 700.000 jovens. Com a implantação do REUNI, estamos recuperando nossas Universidades Federais, de norte a sul e de leste a oeste. No geral, estamos dobrando de tamanho nossas Instituições e criando milhares de novos cursos, com investimentos crescentes em infraestrutura e contratação, por concurso público, de profissionais qualificados. Essas políticas devem continuar para consolidar os programas atuais e, inclusive, serem ampliadas no plano Federal, exigindo-se que os Estados e Municípios também cumpram com as suas responsabilidades sociais e constitucionais, colocando a educação como uma prioridade central de seus governos.

 

Por tudo isso e na dimensão de nossas responsabilidades enquanto educadores, dirigentes universitários e cidadãos que desejam ver o País continuar avançando sem retrocessos, dirigimo-nos à sociedade brasileira para afirmar, com convicção, que estamos no rumo certo e que devemos continuar lutando e exigindo dos próximos governantes a continuidade das políticas e investimentos na educação em todos os níveis, assim como na ciência, na tecnologia e na inovação, de que o Brasil tanto precisa para se inserir, de uma forma ainda mais decisiva, neste mundo contemporâneo em constantes transformações.

Finalizamos este manifesto prestando o nosso reconhecimento e a nossa gratidão ao Presidente Lula por tudo que fez pelo País, em especial, no que se refere às políticas para educação, ciência e tecnologia. Ele também foi incansável em afirmar, sempre, que recurso aplicado em educação não é gasto, mas sim investimento no futuro do País. Foi exemplo, ainda, ao receber em reunião anual, durante os seus 8 anos de mandato, os Reitores das Universidades Federais para debater políticas e ações para o setor, encaminhando soluções concretas, inclusive, relativas à Autonomia Universitária.

 

Alan Barbiero – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
José Weber Freire Macedo – Univ. Fed. do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Aloisio Teixeira – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Josivan Barbosa Menezes – Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA)
Amaro Henrique Pessoa Lins – Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
Malvina Tânia Tuttman – Univ. Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)
Ana Dayse Rezende Dórea – Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Maria Beatriz Luce – Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Antonio César Gonçalves Borges – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Maria Lúcia Cavalli Neder – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
Carlos Alexandre Netto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Miguel Badenes P. Filho – Centro Fed. de Ed. Tec. (CEFET RJ)
Carlos Eduardo Cantarelli – Univ. Tec. Federal do Paraná (UTFPR)
Miriam da Costa Oliveira – Univ.. Fed. de Ciênc. da Saúde de POA (UFCSPA)
Célia Maria da Silva Oliveira – Univ. Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)
Natalino Salgado Filho – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Damião Duque de Farias – Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Paulo Gabriel S. Nacif – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
Felipe .Martins Müller – Universidade Federal da Santa Maria (UFSM).
Pedro Angelo A. Abreu – Univ. Fed. do Vale do Jequetinhonha e Mucuri (UFVJM)
Hélgio Trindade – Univ. Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)
Ricardo Motta Miranda – Univ. Fed. Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Hélio Waldman – Universidade Federal do ABC (UFABC)
Roberto de Souza Salles – Universidade Federal Fluminense (UFF)
Henrique Duque Chaves Filho – Univ. Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Romulo Soares Polari – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Jesualdo Pereira Farias – Universidade Federal do Ceará – UFC
Sueo Numazawa – Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA)
João Carlos Brahm Cousin – Universidade Federal do Rio Grande – (FURG)
Targino de Araújo Filho – Univ. Federal de São Carlos (UFSCar)
José Carlos Tavares Carvalho – Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Thompson F. Mariz – Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
José Geraldo de Sousa Júnior – Universidade Federal de Brasília (UNB)
Valmar C. de Andrade – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
José Seixas Lourenço – Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA)
Virmondes Rodrigues Júnior – Univ. Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
Walter Manna Albertoni – Universidade Federal de São Paulo ( UNIFESP

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:19

Uma amiga de meio milhão de votos

por Ana Prestes, em 04.10.10

Ontem, quando começou a apuração das eleições, uma das primeiras votações que fui buscar foi da Manuela Davila, candidata a deputada federal pelo Rio Grande do Sul. Aliás como tenho feito nos últimos anos. E qual não foi a minha alegria ao descobrir que a Manu é a minha amiga de meio milhão de votos!!! Quanto orgulho tenho de falar isso e quanta alegria por poder compartilhar com tantas pessoas a mente e o coração iluminado desta amiga querida. Nos conhecemos em 2001 em uma completamente maluca viagem para a Argélia. Participamos do Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em um país muito belo, sofrido e complexo. Logo percebi que Manu era uma pessoa muito inteligente e extremamente divertida. Não me esqueço de um velhinho brigando na rua com ela por causa do decote acentuado demais para as mentes muçulmanas de Argel. Na volta ao Brasil passamos por Roma onde celebramos seu aniversário em um pequeno restaurante escondido entre as vielas da capital italiana. Desde então somos amigas e companheiras de partido. Unidas no desejo de ver um Brasil socialista! Parabéns Manu!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:18

Queremos Dilma no peito

por Ana Prestes, em 04.10.10

Photobucket

  

Ontem, ao sair para votar, minha filha Helena (4) me pediu: "Mãe, quero um adesivo da Dilma". Não tinha. Ninguém que eu encontrei na hora da votação tinha um adesivo da Dilma pregado no peito. Não estou defendendo a prática da boca de urna, mas a manifestação silenciosa legalmente prevista. Espero que neste segundo turno tenhamos mais visual de campanha. Fundamental para garantir a vitória. Espero que a minha Helena se farte nos adesivos que ela adora e encha a escola e os coleguinhas de praguinhas coloridas que prenunciam o futuro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:08


Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

Foto

 photo Ana_Prestes.jpg

Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Outubro 2010

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31