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Fórum Social Mundial - Belém 2009

por Ana Prestes, em 24.01.09

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Véspera de mais um Fórum Social Mundial. Belém se prepara para receber milhares de pessoas nos próximos dias. O fórum ocorre há 9 anos na mesma data do Fórum Econômico Mundial de Davos. De 27 de janeiro à 01 de fevereiro Belém será a capital da sociedade civil global.

 

Belém está na entrada da Amazonia brasileira. É uma cidade quente e humana. Muito peculiar pela fartura das frutas, dos pescados, das sementes, das essências. Tudo é saboroso e aromatizado. Nessa época chove muito por aqui. A água cai forte lavando tudo, mas logo vem o sol e o característico calor do verão brasileiro pode ser sentido com sua força total.

 

Tudo indica que o fórum será muito popular. Nos levando quem sabe a reviver a experiência do Fórum de Mumbai em que a beleza das cores, dos sons e dos rituais dos movimentos populares indianos roubaram a cena do encontro...

 

Será também o Fórum da América Latina. O mundo quer entender como, mesmo em face de tantas dificuldades, seu povo e seus governos tem conseguido manter uma agenda progressista e contra-hegemônica na região. Lula, Chavez, Morales, Correa, Lugo... promoverão um encontro histórico com os movimentos sociais, inimaginável em outras partes do mundo.

 

Antes do Fórum ocorrem vários outros encontros, chamo atenção para dois em especial:

 

Fórum Mundial da Educação: www.forummundialeducacao.org

 

Fórum Mundial de Democracia e Ciência: http://fm-sciences.org

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publicado às 13:39

Obama empossado

por Ana Prestes, em 24.01.09

Essa semana o mundo parou para ver a posse de Obama na presidência dos Estados Unidos da América. O dia 20 de janeiro de 2009 vai entrar para história como o dia da posse do primeiro presidente negro dos EUA. Fato inegavelmente forte e simbólico.

 

Mas como disse o professor Boaventura, em entrevista recente, durante as festividades da posse a realidade saiu pro almoço e volta já. O mundo ainda aguarda ofegante as ações do novo presidente frente a tantas e tão desconcertantes facetas da realidade. Como irá superar a crise econômica? Qual será a relação com a América Latina? Quão decisiva será sua ação frente à crise no oriente médio e o massacre em Gaza? Como reparar os danos feitos à Cuba? São questões imensas... aguardando respostas.

 

Uma das primeiras medidas foi o fechamento da Base de Guantânamo. Tem seu simbolismo, mas não foi preciso muito esforço para fazê-lo. Será preciso cortar um pouco mais na carne para provar ao mundo que seu projeto realmente é portador de transformações.

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publicado às 13:10

Galeano sobre Gaza

por Ana Prestes, em 24.01.09

Belo artigo de Eduardo Galeano sobre a situação na Palestina

 

MASSACRE EM GAZA


Eduardo Galeano
 

Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou.

 

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

 

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

 

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

 

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa.

 

Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

 

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

 

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

 

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de "danos colaterais", segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez "danos colaterais", três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense.

 

Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

 

A chamada "comunidade internacional", existe?

 

É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

 

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

 

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

 

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

 

(*) Texto publicado originalmente no jornal Brecha (http://www.brecha.com.uy/alter/index.php)

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publicado às 13:03


Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

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