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Obama, podemos acreditar em mudanças?

por Ana Prestes, em 17.06.08

Outro dia lancei aqui no blog alguns comentários sobre as perguntas que se fazem em torno da possível eleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

 

Enquanto sua campanha proclama: Change we can believe in! (Mudança podemos acreditar nela!) Nós todos seguimos nos perguntando: Change, can we believe in? (Mudança, podemos acreditar nela?). Aparentemente os rumos que a campanha tem apontado neste momento, que é ainda um prelúdio de longos meses que estão por vir, não são muito animadores para os partidários de mudanças profundas no centro do Império.

 

Reproduzo abaixo um parágrafo e disponibilizo o link de um artigo muito perspicaz de Albano Nunes do Partido Comunista Português - PCP, pubicado recentemente no Avante (www.avante.pt) e reproduzido no Vermelho (www.vermelho.org.br):

 

Não é boa a «mudança» que Obama oferece ao mundo se as circunstâncias não forçarem outro rumo. «Mudança» que duas frases lapidares do seu discurso da vitória nesse mesmo dia pronunciado no Minnesota (Monde 5.06.08) ajudam a iluminar: «a mudança é reconhecer que responder às ameaças de hoje não exige apenas o nosso poder de fogo mas também o poder da nossa diplomacia, uma diplomacia dura...», «devemos reencontrar a coragem e a convicção para conduzir o mundo livre». Aqui fica o registro. Que ninguém baixe a guarda.

 

Leia a íntegra no: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=38720

 

Artigo publicado originalmente no Jornal Avante Nº 1802 de 12 de Junho de 2008

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publicado às 15:53

Aborto é questão de democracia

por Ana Prestes, em 17.06.08

Na última quarta-feira, dia 11, o Cine-clube Joaquim Pedro de Andrade, do Sinpro Minas, recebeu a cineasta gaúcha Ana Luiza de Azevedo* para exibir e comentar dois curtas de sua autoria:

 

Dona Cristina Perdeu a Memória (2002) e Ventre Livre (1994)

 

O primeiro trata essencialmente da velhice e suas implicações físicas e sociais. Uma senhora se vê isolada da família e da sociedade ao perder a memória e ser internada em um abrigo. Mas consegue recuperar sua sociabilidade e memória afetiva na relação com um garoto vizinho da casa onde se encontra. O filme retrata lindamente as profundezas das relações humanas que se estabelecem para além das convenções familiares e sociais.

 

O segundo filme, Ventre Livre, teve muito impacto e suscitou debate na platéia. O documentário, produzido à época da Conferência Mundial das Mulheres da ONU - Beijing - 1995, aborda de forma bastante lúcida o tema da condição feminina nas políticas públicas voltadas para a reprodução humana. O filme retrata a profunda desigualdade de classe do Brasil que joga a maioria das mulheres brasileiras na desinformação e no descaso das instituições de saúde pública, ocasionando a gravidez precoce, a esterilização enganosa e os abortos de alto risco. 

 

Como era de se esperar, o debate sobre o aborto ferveu na platéia e algumas questões ficaram para reflexão. Percebe-se um certo amadurecimento da questão, pelo menos em alguns meios, no sentido de alcançar um novo patamar do debate. A questão fundamental não é ser contra ou a favor do aborto, criando uma linha abissal entre grupos que no fundo tem o mesmo senso de respeito à vida e responsabilidade com a saúde da mulher e dos bebês. Mas sim a luta pelo direito democrático de expressar sua opinião e decidir livremente por qual caminho seguir.

 

Tema sempre em voga nestes debates é a estrondosa força da Igreja, católica principalmente, que o filme aborda de maneira muito sagaz ao dar a palavra a uma missionária favorável ao aborto. Isto demonstra que o discurso em torno do papel da Igreja parece jogar uma cortina de fumaça sobre outro aspecto fundamental. Qual seja, a fraqueza da sociedade civil e sua pressão sobre um Estado de direito correspondentemente fraco e passivo em relação ao aborto. O fortalecimento da sociedade civil e o seu amadurecimento para uma estratégia democratizadora e não doutrinadora, seja contra ou a favor do aborto, poderá resultar em uma situação em que o Estado será percebido como um flagrante obstáculo ao exercício democrático de suas cidadãs de fazerem suas escolhas religiosas, morais e reprodutivas.

 

*A cineasta, assim como Jorge Furtado, é uma das diretoras da Casa de Cinema de Porto Alegre, que tem produzido filmes como O Homem que copiava (2003), Meu tio matou um cara (2004), Saneamento Básico (2007).

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publicado às 14:50


Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

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