Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


O que junho (2013) disse pra setembro (2014)?

por Ana Prestes, em 03.09.14

Pegue um monte de jovens inteligentes, conectados e bem intencionados moradores dos grandes centros urbanos do Brasil.

 

Use a grande mídia para ressoar suas justas reivindicações por melhoria da qualidade de vida, especialmente nas grandes cidades, direitos básicos e ampliação do acesso a bens de consumo.

 

Incentive a profusão de propostas sem ordenamento ou método de exposição, fazendo com que todas pareçam ser importantes no mesmo nível e passíveis de serem ajustadas ao sabor dos ventos. O importante é propor, sem medir consequências.

 

Refresque na memória da garotada o mantra anti-política e anti-partidos que seus pais entoaram em seus ouvidos, desde o berço, no calor da queda do muro de Berlim e ao longo da neoliberal década de 90.

 

Desperte o que ainda há de mais conservador nas salas de estar da família brasileira e prometa sua redenção com a extinção dos vermelhos ateus que estão ocupando o governo central.

 

Acene para eles com neologismos políticos: "democracia de alta intensidade", "Estado mobilizador" e "incidência da sociedade civil" como componentes de um programa mudancista de poder.

 

Escolha para representar este programa alguém que "não tem partido", “não queria ser candidato”, "não obedece à hierarquia", "não tem programa fechado", "governa com todos" e abomina os métodos leninistas de organização política e tudo que remeta à "velha política". Afinal, a “nova política” é horizontalista...

 

Faça os acreditar que a “nova política” é financiada por muitos que contribuem com pouco e não por poucos que contribuem com muito. E se há os que contribuem com muito é porque são empresas ungidas por serem vocacionadas pelo “social” e o “desenvolvimento sustentável”, quase filantrópicas...

 

Transmita tudo ao vivo e espetacularmente pelos grandes meios de comunicação e você terá uma adesão “espontânea”, massiva, comovida e quase embriagada por algum tempo...

 

***

 

Como o tempo da política é próprio, não se sabe a durabilidade do engodo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:01


1 comentário

De JAKSON DUARTE a 10.03.2015 às 13:11

Infelizmente não estou em um grande centro, mas, estou sempre conectado e pronto para protestar por aquilo que eu achar justo.

Comentar post



Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

Foto

 photo Ana_Prestes.jpg

Mais sobre mim

foto do autor


calendário

Setembro 2014

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930