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Pela paz na Colômbia

por Ana Prestes, em 04.03.08

O governo colombiano mais uma vez ultrapassou todos os limites de uma coexistência pacífica no continente. Desrespeitou o povo e o governo equatoriano, ao literalmente invadir militarmente as fronteiras do país alheio para travar uma guerra particular e assassinar um dos líderes das FARC, Raúl Reyes.

 

Reproduzo abaixo o texto Defesa da Paz na Colômbia a ser assinado por todos aqueles que aspiram pela solução pacífica do conflito colombiano e pela derrota das forças que colocam em risco a soberania nacional e a segurança dos povos na América Latina.

 

Em defesa da saída política ao conflito armado na Colômbia e do intercâmbio humanitário. 
Há mais de 43 anos o povo colombiano grita ao mundo por sua dor e seu sofrimento. Há anos o sofrimento do povo deste país-irmão vem sendo abafado pelos grandes grupos econômicos que controlam governos e a grande imprensa que, em sua guerra ideológica baseada em mentiras e falsos acontecimentos, deixa a nós brasileiros e ao mundo de costas para o resto da América Latina. Porém a realidade desmente o que dizem os grandes veículos de comunicação (e os chamados "mídias de referência").
Cada vez mais os povos de todo o mundo se levantam contra o Terrorismo de Estado, o militarismo e o narco-paramilitarismo que assola a Colômbia e ameaça a paz em toda a nossa América Latina e o Caribe.
As súplicas do povo colombiano por Paz com Justiça Social, Soberania e Dignidade ecoam por todos os cantos do globo e encontram terreno fértil em muitos lugares, onde infelizmente não está incluída a própria Colômbia.
O conflito está evidente aos olhos de qualquer um que procure enxergar a realidade. Apesar disso, o governo colombiano insiste em negar a existência de um conflito armado em seu país, mesmo gastando 22,2 bilhões de pesos anualmente em sua guerra suja, um percentual do PIB ainda maior que a nação mais militarizada do planeta. Planejada e coordenada pelos Estados Unidos, principal beneficiário da guerra e do tráfico de drogas, os males que afligem a Colômbia, afundam o país no caos e na pobreza com uma dívida humanitária impagável, com incalculáveis vidas desperdiçadas por um câncer que já sugou a vida de pelo menos 300 mil de seus cidadãos.
Nesse jogo de interesses com origem nos Estados Unidos, o maior e mais destrutivo império de todos os tempos, o presidente Álvaro Uribe Vélez se contrapõe a qualquer gesto humanitário que possa levar ao Intercâmbio Humanitário (a troca de prisioneiros), passo fundamental para por fim ao sofrimento de tantas famílias colombianas e estrangeiras, fundamental para que se iniciem, concretamente, as conversações de Paz.
Não há saída militar para o conflito. Os que jogam contra a paz e a solução política para esse conflito que provoca tanto sofrimento aos nossos irmãos colombianos são os que lucram com a guerra e a utilizam para proteger os seus negócios sujos do tráfico de drogas, da corrupção e do assalto ao povo daquele país. A procura por uma saída política para o conflito armado na Colômbia é a única alternativa concreta para esse povo tão bravo e lutador.
De todas as formas, aqueles que estão comprometidos com a guerra, tentam deter o avanço dos embaixadores da paz no país. O mandatário da República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez Frías, e a senadora Piedad Córdoba, que não poupam esforços pela paz na Colômbia e no continente, foram descaradamente sabotados em suas gestões pelo regresso dos detidos ao seio de suas famílias.
Somente com amplo apoio internacional os clamores do povo que anseia pela paz serão ouvidos nos elegantes salões da Casa Branca e da Casa de Nariño, garantindo um futuro para a paz. O povo colombiano clama pelo fim dos desaparecimentos forçados, das ameaças, dos desalojamentos forçados, das execuções extrajudiciais e dos massacres aos povos desse país, desde os camponeses e indígenas aos jovens militantes urbanos e líderes sindicais e populares. São mulheres, homens e crianças, mais de 300 mil vítimas inocentes, cujo sangue foi derramado para garantir os privilégios dos criminosos que se encastelam no poder.
É com muito orgulho e um forte sentimento de solidariedade, que o povo do Brasil ergue-se em defesa dessa causa justa, para dizer um basta à violência e exigir que o governo colombiano escolha o caminho do diálogo, da solução política para o conflito, ao invés das ameaças, dos bombardeios, da obediência aos interesses estadunidenses.
Levantamo-nos para exigir que o governo colombiano opte pela vida ao invés da morte, pela verdadeira democracia onde o soberano seja o povo, ao invés de uma ditadura fascista. Ao invés da Guerra, clamamos por outra realidade possível, por uma Colômbia em Paz com Justiça Social, uma Colômbia Digna e Soberana.
Chega de massacres! Chega de guerra!
Pelo Intercâmbio Humanitário!
Por uma saída política para o conflito!
Por favor enviar assinatura para: cebrapaz@uol.com.br

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publicado às 17:06



Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

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