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Sobre o próximo Fórum Social Mundial (II)

por Ana Prestes, em 30.09.07
O dia de ação global
 
O dia de ação global não será propriamente um dia, mas antes uma semana de atividades que terá como auge o dia 26 de janeiro de 2008. O objetivo dos organizadores é reunir, sob o lema que identifica o FSM: “Outro mundo é possível”, milhões de pessoas, organizações, redes, movimentos, sindicatos expressando diferentes segmentos sociais e culturais em todas as partes do planeta desde zonas rurais a urbanas.
 
A grande questão é que diferentemente de um encontro centralizado, preparado com antecedência e com o qual as pessoas e organizações se comprometem previamente, este tipo de agenda está mais vulnerável a intempéries conjunturais. Na última reunião do Conselho Internacional em Berlin (maio, 2007) muitas organizações se queixaram, por exemplo, de ser um período de difícil mobilização até mesmo pelas condições climáticas, de frio rigoroso no norte e calor escaldante no sul.
 
O principal temor, no entanto, é que a falta de um grande mote mobilizador, como foi a guerra do Iraque para impulsionar as manifestações do 15 de Fevereiro de 2003, coloque em cheque a jornada. Bastará lançar um convite e aguardar a adesão das pessoas e organizações ao redor do mundo? Não será necessária uma coordenação mais determinante para garantir o êxito da empreitada?
 
Aqui mais uma vez as distintas concepções de FSM se dividem. Esta diferença foi percebida na grande polémica sobre o papel da comunicação no processo de construção do dia da ação global. Comunicação versus mobilização foi o eixo do debate na última reunião do Conselho Internacional em Berlin. Os apologistas da comunicação como o grande instrumento de construção da próxima etapa do FSM defendem que altos montantes sejam investidos na propaganda e no apelo às adesões. Por outro lado, há os que defendam que somente a propaganda não basta, é preciso coordenar o processo. Ir às regiões, fazer controle das adesões, colaborar na solução dos pormenores da execução das atividades. Por que não combinar as duas medidas?
 
Na prática estas medidas vão ocorrer simultaneamente, não se sabe no entanto se de forma realmente conjugada. Afinal, a sucessiva fabricação de consensos no interior do Conselho Internacional acabou levando a uma segmentação de grupos no seu interior, que não se confrontam em plenária, mas acabam agindo em separado nos intevalos entre as reuniões. Se um setor defendeu a comunicação como mote, se empenhará nisso. Se o outro vê a mobilização direta como mais estratégico se dedicará a esta tarefa. Um grupo polarizado pelo antigo secretariado brasileiro e outro pela coordenação da assembleia mundial dos movimentos sociais.

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publicado às 10:52



Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

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