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Sobre o próximo Fórum Social Mundial (I)

por Ana Prestes, em 29.09.07
O Fórum Social Mundial (FSM) está na agenda do século XXI. Desde a sua primeira edição, em janeiro de 2001, na cidade de Porto Alegre, vem cumprindo o papel de aglutinar e realçar as principais lutas dos movimentos sociais ao redor do mundo. Sob o lema “Outro Mundo é Possível” já deixou sua marca nas Américas, na Ásia e recentemente no continente Africano. Não está imune, no entanto, a desgastes e limites impostos pelo tempo de duração, pelas disputas internas e pela hegemonia implacável da dominação imperialista.
 
Após três exitosos encontros no Brasil, sempre na cidade de Porto Alegre, em 2004 o FSM realizou sua primeira grande mudança. Foi realizado em Mumbai, na Índia, superando não só as expectativas de fracasso, mas inclusive as que apostavam no sucesso. Foi um êxito de organização, público e combatividade. Foi também neste encontro que ganhou força um intenso debate no seio das organizações que “coordenam” o processo FSM através de um Conselho Internacional. Fruto deste debate, tratado a seguir, nasceram novos formatos para o encontro anual, nomeadamente os fóruns policentricos e a jornada de ação global 2008.
 
Formato e periodicidade
 
O evento anual do FSM é um encontro gigante. Consome significativas energias de todos que se envolvem na sua preparação e organização. Qualquer entidade representativa dos movimentos sociais ou organização não governamental que pretenda ter uma participação relevante no encontro precisa investir. O investimento consiste em tempo para preparação, articulação das agendas e principalmente recursos financeiros para deslocamento e permanência no local do encontro.
 
Frente a tantos investimentos, um questionamento inevitável que surgiu no decorrer dos encontros, entre organizadores e participantes do FSM, foi quanto à sua eficácia. É óbvio que aqui se anuncia uma das principais polêmicas que divide os integrantes da sua coordenação. Há os que defendem que a eficácia está justamente na existência do encontro e na disponibilização de um “espaço” para debates e articulações. Mas há também os que apostam que a eficácia estaria na promoção de um “movimento” mundial com objetivos e metas claras a serem alcançadas e que tal não estaria ocorrendo.
 
Está aqui implícita uma tensão entre dois campos que se traduziu em um debate sobre o formato e a periodicidade do encontro anual do FSM. Este debate chegou a um termo parcial na reunião do Conselho Internacional de Parma (outubro, 2006), quando se decidiu que o FSM de 2008 não seria um encontro mundial centralizado, permitindo a permanência das organizações nas suas regiões, mas sim “uma jornada de mobilizações mundiais em torno dos mesmos dias do Fórum Económico Mundial de Davos”. O grande temor de alguns dos “criadores” do FSM é que este perdesse sua característica anti-Davos que lhe garantiu uma projeção mundial nos primeiros anos.
 
O FSM de 2008, deste modo, será um teste de sobrevivência. Estará sujeito a severas críticas externas e internas. Há os que poderão dizer que o invento político fracassou, não teve forças pra se consolidar como uma tradição vigorosa. Há porém os que poderão alegar que sua força e capacidade de renascer estão justamente na diversidade de formas que assume e no enraizamento local que atingirá ao ser promovido simultaneamente em dimensão global e em comunidades locais.

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publicado às 12:00



Cientista política e militante comunista. Altamira é uma homenagem à minha vó, Maria Prestes, e a todas as mulheres que, na luta por justiça e democracia, abdicaram do próprio nome.

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